segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Do fundo do baú...

Quando tinha 13 anos conheci um rapaz. Conheci-o através de uma prima. 3 anos mais velho que eu e com aquele encanto de rapaz rebelde. Contava-se à boca pequena que ele era assim porque os pais se estavam a divorciar e não estava a correr bem (vim a descobrir muitos anos mais tarde que, apesar da questão do divórcio ser verdadeira, tudo o resto era uma fachada, na realidade os pais já estavam separados há alguns anos e ele já estava mais do que habituado à ideia). Era um "rebel without a cause" e apaixonou-se perdidamente por aquela adolescente irritante que eu era aos 13 anos. Namorámos, não correu bem (eu na realidade estava apaixonada por outro rebelde, irritante como eu). Em suma parti-lhe o coração... Pouco tempo depois, ele desistiu da escola e foi para a Força Aérea (não, não foi por desgosto, as coisas já estavam encaminhadas, ele só estava à espera de fazer 17 anos e meio para poder entrar...) e deixei de o ver e de saber dele.
Fast-forward 7 anos... Uma manhã fria de Inverno, ia eu a caminho da faculdade e algo me impeliu a olhar para o lado... Nem acreditei bem no que estava a ver... Era ele, o D. dentro de um Opel muito velhinho (nem sei que modelo era), assumi que ele iria para a Base Aérea onde estava colocado, vim a saber depois que na realidade tinha saído da Força Aérea pouco tempo antes.
Passei tanto tempo sem sequer pensar nele e nesse dia aquele sorriso que ele me lançou de dentro do carro ficou gravado na minha memória e não me largou durante todo o dia. Na verdade, não me largou nos dias seguintes...
Umas semanas mais tarde, ia eu a subir a minha rua, vinda de mais um dia passado na faculdade e vejo um Punto branco comercial fazer marcha atrás no meio de um cruzamento e lembro-me claramente de pensar "há pessoas mesmo chanfradas", e ao mesmo tempo que este pensamento cruzou a minha mente vejo a cara dele a sorrir para mim da janela do Punto... Chamou-me e fui ter com ele, não sei porquê, mas fui ter com ele, perguntou por mim, disse-lhe que estava tudo bem que estava na faculdade, perguntou-me se tinha telemóvel e quando lhe respondi que sim, pediu-me o número e não sei muito bem porquê dei-lho, e conforme me afastei dele ia com a certeza que nunca mais o ia ver... Entretanto passaram-se 11 anos e não só o tornei a ver como neste momento temos uma filha com 2 anos e meio e outro(a) a caminho...
A vida dá mesmo muitas voltas e se há 19 anos atrás me tivessem dito que me iria ter 2 filhos do D eu tinha-me atirado para o chão a rir...

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